sábado, 4 de outubro de 2008

O teu presente para a Maria!


Se o dia me vai cansando
e me retira a bonança
eu renovo-me escutando
o riso de uma criança:
é melodia afastando
as nuvens da tempestade.
E um novo sol vai brilhando
num céu de felicidade!


Fernando Peixoto












Fernando Peixoto deixou-nos ontem. A Cultura Portuguesa ficou mais


pobre.



Obrigada, amigo! Até breve!

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Quando



Quando o meu corpo apodrecer e eu for morta

Continuará o jardim, o céu e o mar,

E como hoje igualmente hão-de bailar

As quatro estações à minha porta.




Outros em Abril passarão no pomar

Em que eu tantas vezes passei,

Haverá longos poentes sobre o mar,

Outros amarão as coisas que eu amei.




Será o mesmo brilho a mesma festa,

Será o mesmo jardim à minha porta.

E os cabelos doirados da floresta,

Como se eu não estivesse morta.




Sophia de Mello Breyner Andresen

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Amor Amado



Assim como os poentes
São rubros e as rosas,
Tão vivo é o meu amor por ti.
Com essa força atravesso
Todas as tempestades
E descubro em cada momento
A fonte da alegria.
No silêncio repito
O teu nome como um bálsamo
E sei que tu o meu repetes
como um apelo.
E o apelo não é vão
Pois com ele me dás as estradas
E os atalhos para chegar a ti.
Ao teu encontro vou
Com as rosas de Maio
Com as cerejas de Junho
Com as uvas de Setembro
E cada mês me dá para te levar
a sua novidade
Pois o amor faz novas todas as coisas.
Quando te não vejo vejo-te em todo o lado
E oiço-te em todas as vozes
Tu que és a única voz.
Em ti me refaço e me transformo
E fluo para ti como um grande rio
Na certeza de ti, que és o meu (a)mar.

Maria Teresa Dias Furtado