segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

A ver o mar...



Fui vê-lo, há dias, depois de um almoço no restaurante do pinhal que fica a pouco mais de dois quilómetros da ilha.Os surfistas, cheios de frenesim, faziam-se ao mar encapelado com ondas a favor. Uma maré cheia chegava à minha beira e os sonhos desfiavam-se como contas de um rosário pela minha mente.De pequenina,com dois/três anos já gostava de andar sozinha na rebentação das ondas na ilha onde chegava no barco do " Chico Alemão". Durante a viagem ia sempre debruçada à janela olhando a deslumbrante paisagem da Ria Formosa. Naquele tempo era mais formosa ainda porque os efeitos da poluição ainda não se sentiam como hoje e avistava grupos de mariscadores na apanha da ameijoa, do lingueirão, do berbigão e vários pescadores em pequenas chatas à espera que os robalos, as douradas,as safatas, as enguias picassem o isco e ficassem presas.Quão fartas foram as refeições feitas com peixe grelhado acabadinho de pescar acompanhado de salada de tomate, pimento assado e pepino temperada com azeite, vinagre e orégãos de Monchique!
A Primavera aproxima-se a passos largos e, embora o calendário não no-la deixe vislumbrar, eu espero começar os meus passeios à beira-mar e terminá-los com um bom banho de mar e dar as inevitáveis braçadas depois do convite irrecusável que o mar sempre me faz.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Recomeça


Se puderes,
Sem angústia e sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro,
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.
E, nunca saciado,
Vai colhendo
Ilusões sucessivas no pomar.
Sempre a sonhar
E vendo,
Acordado,
O logro da aventura.
És Homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez,
te reconheças.

Miguel Torga

sábado, 26 de dezembro de 2009

Poema de Natal


Tu que dormes a noite na calçada de relento
Numa cama de chuva com lençóis feitos de vento
Tu que tens o Natal da solidão, do sofrimento
És meu irmão amigo
És meu irmão

E tu que dormes só no pesadelo do ciúme
Numa cama de raiva com lençóis feitos de lume
E sofres o Natal da solidão sem um queixume
És meu irmão amigo
És meu irmão

Natal é em Dezembro
Mas em Maio pode ser
Natal é em Setembro
É quando um homem quiser
Natal é quando nasce uma vida a amanhecer
Natal é sempre o fruto que há no ventre da Mulher
Tu que inventas ternura e brinquedos para dar
Tu que inventas bonecas e combóios de luar
E mentes ao teu filho por não os poderes comprar
És meu irmão amigo
És meu irmão

E tu que vês na montra a tua fome que eu não sei
Fatias de tristeza em cada alegre bolo-rei
Pões um sabor amargo em cada doce que eu comprei
És meu irmão amigo
És meu irmão

Natal é em Dezembro
Mas em Maio pode ser
Natal é em Setembro
É quando um homem quiser
Natal é quando nasce uma vida a amanhecer
Natal é sempre o fruto que há no ventre da Mulher.

Ary dos Santos


"Natal é em Dezembro
Mas em Maio pode ser
Natal é em Setembro
É quando um homem quiser"

Não esqueçamos a mensagem contida nestes quatro versos. E querer é poder!