Aproveitei o último dia de Dezembro para fazer uma reflexão sobre o ano que agora finda e o novo que logo, logo, se iniciará. A época é propícia a balanços e tomei a decisão de fazer uma retrospectiva pessoal dos meus últimos dezoito meses como bloguista. Aqui " A Ver O Mar". É salutar fazer-se, de quando em vez, uma retrospectiva de vida, interrogarmo-nos se o percurso seguido está de acordo com os nossos objectivos, sonhos, expectativas e tentar um aperfeiçoamento desse rumo ou mesmo uma mudança radical.
É costume dizer-se nesta época "Ano Novo, Vida Nova". Embora eu nunca me tivesse sentido arrebatada por essa onda de optimismo que a muitos invade , ou temos realmente a coragem e a vontade de modificar alguma coisa na nossa vida, ou simplesmente continuaremos a manter o mesmo quotidiano em que o tempo passa a correr, deteriorando o nosso bem-estar assim como o daqueles que nos são mais queridos e íntimos.
Achei então que esta era a altura ideal para fazer uma reflexão sobre a continução do Sophiamar, que tenho vindo a adiar, dia após dia. Chegara a hora de colocar em prática aquilo que sistematicamente vinha protelando.
Os problemas do passado, ao passado pertencem, costumo dizer, falando das desgraças de outrora, ainda que delas aproveite sempre a lição que há que aproveitar mas, desta vez, não está a ser fácil libertar-me das amarras de um passado tão próximo. Não quero vitimizar-me mais. Acaba por ser mais confortável rasgar estas páginas e tomar as rédeas de um novo projecto. Quero ir mais além!
Neste final de 2008, quero enterrar memórias que muito me marcaram sem deixar de assumir parte da minha responsabilidade no insucesso de alguns relacionamentos,muito poucos, voltar a escrever, voltar a sentir-me verdadeiramente livre!
Estamos mesmo, mesmo a entrar em 2009, ano que não se adivinha fácil nem em Portugal nem no Mundo nem podemos transformá-lo, por mais que o queiramos, num golpe de magia, num ano fantástico da nossa vida! Eu sinto-me igualzinha ao que fui ontem, anteontem mas confesso que tentarei, desta vez, não ficar indiferente à data do calendário. Ano Novo, Vida Nova.
Encontrar-nos-emos por aí, meus queridos amigos.Reconhecer-me-ão!
Abraços para quem é de abraços, beijinhos para quem é de beijinhos.
Um Ano Novo muito feliz.
Bem-hajam por tudo de bom quanto me deram. E foi tanto!
quarta-feira, 31 de dezembro de 2008
terça-feira, 30 de dezembro de 2008
Receita de Ano Novo
Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor de arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação como todo o tempo já vivido
(mal vivido ou talvez sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser,
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?).
Não precisa fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar de arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto da esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um ano-novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.
Drummond de Andrade
segunda-feira, 29 de dezembro de 2008
Recomeça
Se puderes
Sem angústia
E sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.
E, nunca saciado,
Vai colhendo ilusões sucessivas no pomar.
Sempre a sonhar e vendo
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças…
Miguel Torga
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