sexta-feira, 11 de março de 2011

Horizonte

Foto de Cata-vento ( Praia do Barlavento algarvio)

O mar anterior a nós, teus medos
Tinham coral e praias e arvoredos.
Desvendadas a noite e a cerração,
As tormentas passadas e o mistério,
Abria em flor o Longe, e o Sul sidério
'Splendia sobre as naus da iniciação.

Linha severa da longínqua costa -
Quando a nau se aproxima ergue-se a encosta
Em árvores onde o Longe nada tinha;
Mais perto, abre-se a terra em sons e cores:
E, no desembarcar, há aves, flores,
Onde era só, de longe a abstrata linha

O sonho é ver as formas invisíveis
Da distância imprecisa, e, com sensíveis
Movimentos da esp'rança e da vontade,
Buscar na linha fria do horizonte
A árvore, a praia, a flor, a ave, a fonte -
Os beijos merecidos da Verdade.



Fernando Pessoa

7 comentários:

aflores disse...

Como eu gosto deste Horizonte e um mar assim...

quase que senti o cheiro!

Bem-hajas.

Tudo de bom.

pinguim disse...

Continuas a ser exímia na escolha da tua poesia preferida...

Ana disse...

Como só o Mestre sabia dizer !

greentea disse...

Buscar na linha fria do horizonte
A árvore, a praia, a flor, a ave, a fonte -
Os beijos merecidos da Verdade.


seria ...
e o q diria Fernando se estivesse cá , aqui e agora ??

Zé Povinho disse...

Que bom que é sonhar lendo Pessoa.
Abraço do Zé

Fernando Santos (Chana) disse...

Olá cara amiga, gostei da fotografia e do poema...Espectacular....
Cumprimentos

Fragmentos Culturais disse...

... como eu gosto desse mar! E desse horizonte sem fim!

'...O sonho é ver as formas invisíveis...' - é mesmo! Quando em final de tarde, o nosso olhar busca captar os instantes do equilíbrio!