domingo, 30 de janeiro de 2011

Desperta


Desperta
desperta-me
de noite
o teu desejo
na vaga dos teus dedos
com que vergas
o sono em que me deito

é rede a tua língua
em sua teia
é vicio as palavras
com que falas

a trégua
a entrega
o disfarce

e lembras os meus ombros
docemente
na dobra do lençol que desfazes

desperta-me de noite
com o teu corpo
tiras-me do sono
onde resvalo

e eu pouco a pouco
vou repelindo a noite
e tu dentro de mim
vai descobrindo vales.

Maria Teresa Horta

3 comentários:

gaivota disse...

um lindo despertar, minha querida!
descobrir vales em qualquer sítio... à frente do mar!
beijinhosssssssss milessssss

Graça Pires disse...

A Maria Teresa Horta é sempre sublime a escrever poemas de amor.
Um beijo.

pinguim disse...

Também gosto, claro.
Mas esperava aqui ver um poema de Florbela Espanca, e outro de António Botto, o poeta maldito.