sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Em todos os jardins


Em todos os jardins hei-de florir,
Em todos beberei a lua cheia,
Quando enfim no meu fim eu possuir
Todas as praias onde o mar ondeia.

Um dia serei eu o mar e a areia,
A tudo quanto existe me hei-de unir,
E o meu sangue arrasta em cada veia
Esse abraço que um dia se há-de abrir.

Então receberei no meu desejo
Todo o fogo que habita na floresta
Conhecido por mim como num beijo.

Então serei o ritmo das paisagens,
A secreta abundância dessa festa
Que eu via prometida nas imagens.
Sophia de Mello Breyner Andresen

5 comentários:

pinguim disse...

Sem comentários...
Podes continuar!

Graça Pires disse...

Sempre irresitível, a Sophia. Em cada poema nos estremece...
Um beijo.

Graça Pires disse...

Quis dizer irresistível, claro

Zé Povinho disse...

Um poema um tanto triste apesar da beleza das palavras.
Abraço do Zé

Ana disse...

Que saudades tinha de ler um poema de Sophia! Maravilhoso como todos os dela !
Um beijo *