sábado, 24 de maio de 2008

Maio

Ninguém sabia de que maio vinham
ninguém, ninguém para que maio iam.
E as mãos que de se dar não se continham
as mãos que mão a mão se repartiam.

Até aí os filósofos só tinham
interpretado o ser e a palavra.
Ninguém sabia de que maio vinham
rua a rua Paris se desfolhava.

Buscavam outro sentido outra medida
e mais do que mudar eles queriam
dançar no mês de maio a própria vida.


Ninguém sabia como começou
ninguém ninguém para que maio iam
de repente Paris era Rimbaud

Manuel Alegre

46 comentários:

gaivota disse...

querida isabel, manuel alegre lá diz "ninguém sabia..."
maio, maduro maio, quem dera já...
gosto muito do mês de maio, mas este ano tudo tem sido diferente!
o que de facto mais valeu foram os dias lindos e longos e quentinhos cheios de amor e carinho e miminhos, que passei de mãos dadas com a vida...
beijinhosssssssss

com senso disse...

É a primeira vez que passo por este espaço.
Magnifco! Um espaço em que a Liberdade e a Solidariedade tomam a forma de poesia.
O seu blog é belíssimo, de um bom gosto excepcional. Os meus sinceros parabéns.
Já está adicionado aos favoritos.

Agulheta disse...

Sophia.
Como neste poema Manuel Alegre falou,e bem era preciso um Maio florido,mas breve para animar o coração de muitos de nós,que anda desalentado de esperança,por algo meçhor e diferente.
Beijinho e para a princesa Lisa

herético disse...

"rescaldo(s)"assim valem... rss

belo poema de M. Alegre que não me recordo de ter lido antes.

obrigado

José Antunes Ribeiro disse...

Olá, Sophiamar...a Ver o Mar!...
Estou em dívida! Ando com novos projectos e o tempo é cada vez menos. Bom fim de semana!
Um beijo.Até breve.

o escriba disse...

Sophiamar

Até Maio já não é o que era!
Resta-nos estas letras que nos vão dando força para desejarmos maios mais floridos.Lindo poema!

já agora, posso tratar-te pelo teu nome, Isabel?

bom fim de semana
bjs
Esperança

elvira carvalho disse...

E Maio que já foi de contentamento e esperança, agora é Maio do nosso descontentamento.
Conhece a história do Maio e do mês que há-de vir?
Conta-se que em Lagos, em tempos idos havia um costume pitoresco. Em determinado dia de Maio, um cavaleiro préviamente escolhido, passeava a cavalo pelas ruas de Lagos o ouro das damas, para que toda a gente admirasse a riqueza da cidade. Um ano o cavaleiro terá fugido com todo o ouro. Enganados e envergonhados, os lacobrigenses baniram do seu vocabulário o nome do mês de Maio.
E a partir daí passaram a dizer Janeiro, Fevereiro, Março, Abril, o mês que há-de vir, Junho, Julho... e por aí fora.
Um abraço e bom Domingo.

Fernando Santos (Chana) disse...

Olá cara amiga, belo poema de Manuel Alegre...
Beijos

Sophiamar disse...

Gaivota Linda!

Também gosto muito do mês de Maio. É um mês recheado de acontecimentos.
Este ano, tiveste uns dias maravilhosos com os teus fofinhos na Holanda. É a vida a continuar.

Beijinhos

Sophiamar disse...

Com senso

Seja bem vindo. As portas estão-lhe franqueadas à entrada.
Terei muito gosto.
Muito obrigada.

Beijinhos

Sophiamar disse...

Agulheta

De facto, a esperança não abunda.Esperemos dias melhores.

Beijinhos

Bem Hajas!

Sophiamar disse...

Herético

És sempre bem vindo nesta casa.
Um poema pouco conhecido de Manuel Alegre mas há muitos mais. Pouco divulgados, claro!

Beijos

Sophiamar disse...

José Antunes Ribeiro

A tua presença é sempre bem vinda. Espero que tenhas um bocadinho para ir passando.

Beijinhos

Bem hajas!

Sophiamar disse...

Escriba com esperança

Claro que podes tratar-me por Isabel, Isabelita, Belita... como queiras, colega.

Já gosto muito de ti conterrânea.

E Maio já não é o que era.

Beijinhos

Sophiamar disse...

Elvira, Amiga

E neste Maio do nosso descontentamento relembraste-me a lenda do mês que há-de vir.
Foi bom tê-la recordado. O meu pai contava-a.

Beijinhosssss

Sophiamar disse...

Fernando Santos

Obrigada, amigo.

Deixo-te beijos. Vai passando.

anamarta disse...

Mais um lindo poema da Manuel Alegre, não o conhecia, obrigada por partilhares.
beijos

Sophiamar disse...

anamarta

A tua visita nesta casa é sempre um prazer. Lutamos pelos mesmos ideais de liberdade, tolerância, solidariedade, humanidade...

Este poema de Manuel Alegre não é muito vulgar.

Beijinhos

Bem Hajas!

Maria disse...

Excelente poema de Manuel Alegre.
De um outro Maio. De um Maio tão perto e tão longe. Mas que nos tocou e que ajudou a mudar o Mundo, esse Maio.

Beijinhos

Sophiamar disse...

Maria

Que Maio que mudou o mundo se conserve.Cuidemos da liberdade preciosa que Abril e Maio nos trouxeram.

Beijinhos

rendadebilros disse...

Estas palavras de um poeta como Manuel Alegre são sempre vívidas e tocam-nos fundo...

(Os desafios às vezes não nos apanham com a melhor disposição para lhes respondermos; por isso nem sempre os passo às mesmas pessoas, embora não o consiga evitar às vezes... )

Beijos.

o escriba disse...

Isabel

As tuas respostas aos comentários são de uma simpatia e carinho difíceis de adjectivar.
Honras-me com esta amizade!
Cada vez gosto mais de vir aqui! Nem calculas o bem que me tem feito!

Um xi-coração muito apertado
Esperança

Brancamar disse...

Olá querida amiga,
Tenho estado silenciosa, como em todos os amigos, nestas três últimas semanas, mas não esquecida de ti, nem de ninguém. Outras causas e outros acontecimentos me levaram o tempo e o coração quer chegar a todos os lados, mas a capacidade humana é limitada. Não tenho deixado de passar de vez em quando e espero agora retomar com mais assiduidada os meus comentários.Já desde o teu post do Maio de 68 em França que ando por aqui a cair de cansaço, sem conseguir escrever e às vezes mesmo ler, confesso.
Como vai a tua Maria?
Espero que óptima.

Quanto a este poema do Manuel Alegre, que dizer? É sempre tão intenso, tão profundo, tão nossa e ao mesmo tempo tão Universal a mensagem deste nosso querido poeta.
Acompanhou-me sempre desde a juventude e já são tão íntimas para mim as suas palavras e os seus versos quer sejam de intervenção, quer sejam de amor!
Voltarei para pôr a leitura em dia.
Um beijinho grande para ti.

amigona avó e a neta princesa disse...

Saio assim com a alma cheia, sabes? Beijos minha querida amiga e que nesta semana (a última de Maio) sejas muito feliz...

Partilhas disse...

passei por aqui, num passeio de domingo..., e senti logo que é um lugar de sensações, um lugar para voltar...

Sophiamar disse...

Rendinha

A tua presença aqui é sempre bem vinda.
Manuel Alegre é um símbolo da resistência e da coerência.
Os desafios, amiga, às vezes não nos apanham bem. Mas, força, vamos em frente.

Beijinhos

Sophiamar disse...

Esperança

Também gosto muito da tua presença, do teu blogue, datua simpatia. E afinal somos conterrâneas.

Beijinhossss mil

Sophiamar disse...

Brancamar, Amiga!

Olá querida Amiga. Tenho sentido a tua ausência mas já me apercebi que és uma mulher de solidariedade, de trabalho,amizade e não podes estar presente em todo o lado como queres e desejas. Eu tenho sido pouco assídua, um tanto ou quanto contristada com situações inesperadas mas sou daquelas que da fraqueza faz força e continua.
Deixo-te beijinhos mil.

Bem hajas, Branca!

As tuas palavras caíram-me muito bem.

Sophiamar disse...

Amigona

Tentarei ser feliz.Afinal a família está bem, os amigos mimaram-me e um passeio retemperou momentos de desilusão. Nada que não tenha remédio.
Deixo-te beijinhos, amiga.
Que a tua semana seja tão boa quanto mereces. E mereces muito!

Sophiamar disse...

Partilhas

Sê bem vindo. Vamos partilhar os nossos espaços com amizade.

Beijinhos

Papoila disse...

Olá Sophiamar!
Belo este poema de Manuel Alegre.
Ele que nasceu em Maio canta Maio como ninguém!
"Eu canto para ti um mês de giestas
Um mês de morte e crescimento ó meu amigo
Como um cristal partindo-se plangente
No fundo da memória perturbada

Eu canto para ti um mês onde começa a mágoa
E um coração poisado sobre a tua ausência
Eu canto um mês com lágrimas e sol o grave mês
Em que os mortos amados batem à porta do poema"
Beijos

Sophiamar disse...

Papoila, Amiga!

O mês de Maio, conforme temos visto, é um mês com história. Também conheço esse que está entre os mais bonitos de Alegre.

Volta sempre.

Beijinhos

Filoxera disse...

Sem inspiração para mais, deixo-te um beijo. Que tenhas uma boa semana.

Sophiamar disse...

Filoxera

Também me sinto com pouca inspiração e a escrita não sai. Tenho de contrariar esta abulia que está a tomar-me.

Beijinhos

DelfimPeixoto disse...

Bons tempos os que MAnuel Alegre não falava mas ecrevia....

Sophiamar disse...

Delfim Peixoto

Seja bem-vindo!

Que Manuel Alegre viva muitos anos para falar,em liberdade como tanto lutou e desejou, e que continue a escrever.

Beijinhos

O Guardião disse...

O Maio de 68 foi isto mesmo, a libertação das regras e dos dogmas do poder envelhecido e que pretendia manter o status quo vigente, apesar da mudança que se reclamava. Nem todos queriam a mesma coisa, mas ninguém queria ficar como estava.
Encontram semelhanças? Os tempos mudam, o poder só admite mudanças que ele próprio imponha, sempre alheado da realidade vivida pela sociedade que abafa, até que...
Cumps

Sophiamar disse...

Guardião

"Os tempos mudam, o poder só admite mudanças que ele próprio imponha, sempre alheado da realidade vivida pela sociedade que abafa, até que..."

Obrigada pelas tuas palavras.

Sínte-se perfeita.

És bem vindo!

Beijinho

C Valente disse...

Saudações amigas

ASPÁSIA disse...

MANUEL ALEGRE NO SEU MELHOR!

NÃO CONHECIA E FICO ENCANTADA!

E MAIS UM MAIO ESTÁ A CHEGAR AO FIM, MAS PELO TEMPO, DIR-SE-IA FEVEREIRO...

ENTRETANTO, CREIO NAO SER DAS TUAS VISITAS, MAS A AMIGA "GASOLINA" REGRESSOU E RECUPERADA, PELO MENOS EM PARTE, DE SAÚDE.

COM PENA, TENHO DE DEIXAR A LEITURA ACIMA DAS "CARTAS DE AMOR POR ENCOMENDA", PARA AMANHÃ...

UMA VEZ FIZ UM POEMA FAZENDO-ME PASSAR POR "POETISA DE ALUGUER", CREIO QUE O LESTE...

BEIJINHOS GRANDEEEESSSS AMIGUITA!

Sophiamar disse...

Cvalente

Amigo, desculpa a minha falta de assiduidade.

Deixo-te saudações fraternas.

Sophiamar disse...

Aspásia, Amiga!

Lembro-me de ter lido esse poema e outros de que muito tenho gostado.
Gosto de tudo quanto escreves e encontro a amiga, a pessoa linda que és em cada palavra que deixas na blogosfera.
Quanto à gasolina, vou agora ao blogue dela e passarei a comentá-la.
Este poema de Manuel Alegre faz parte de um pequeno livro de sonetos, publicado há quinze anos.

Maio, escuro e frio Maio, quem te viu e quem te vê...

Deixo-te mil beijinhos

Graça Pires disse...

Adoro este poema de Manuel Alegre. Obrigada por o divulgares aqui. Um beijo.

Luis Eme disse...

um poema de Maio especial...

abraço Sophiamar

Sophiamar disse...

Graça Pires

É um dos poemas de Manuel Alegre de que mais gosto embora tenha uma paixão muito especial por ele.
Maio é sempre Maio.

Beijinhos

Obrigada pelas palavras, amiga.

Sophiamar disse...

Luís eme

Um poema muito especial. E Maio é um mês especial.

Beijinhos

Obrigada!