sábado, 8 de novembro de 2008

Da Serra ... com amizade...e alguma melancolia.

Não sei que lugarejo serrano é este mas sei que estou entre as minhas gentes. Depois de um dos muitos almoços no norte algarvio, ali quase na fronteira com o Alentejo, que tanto amo também, de retorno ao Canto do Melro, parei entre Montes Novos e Barranco do Velho, e tirei esta fotografia. Não está muito nítida mas gosto dela pelo que de agradável lhe anda associado. Dias de passeio em família, por entre montes e vales, ar puro com um aroma a eucalipto, pinheiro e rosmaninho,recordações de outros tempos em que os avós aqui vinham , por esta altura, apanhar azeitonas e aproveitavam para levar uns braçados de estevas para o lume, as longas noites ao borralho a ouvir o avô a ler a Cartilha Maternal de João de Deus, as adivinhas, algumas anedotas, poucas, e a leitura individual, neto a neto, aplaudida ou criticada com a doçura do avô.
Aqui ao lado, espreitam-me a escrita. Lá está ela de volta ao tema, agora fonte inesgotável de palavras. Que obsessão! Escreve isso, se é o que te apetece, mas, depois, não andes a lamuriar que não te lêem, não te deixam palavras de afecto, não tens os amigos que tinhas na blogosfera. Mas eu nunca disse isso! Fico pasmada com o que ouço mas já não estranho. É o costume!
Tu não vês que um blog não é para carpir tristezas todos os dias? Eu sei. Desculpem-me! Talvez seja a última vez que faço um post assim. Sei que tenho um grupo de amigos, daqueles que, apesar da distância, aqui têm estado de pé firme e não merecem, de todo, que eu os atormente com as minhas maleitas da alma que também afectam o corpo, este que tanto gosta de ser prestativo, bom ouvinte. Estou diferente. Pois estou! É uma verdade e até sei enumerar todas as situações que aqui me encurralaram. Espero que este beco tenha saída. Se eu mereço não sei mas não duvido, nem por um minuto, que a família e os meus amigos não merecem perder o tempo que este post leva a ser lido.
Bem-hajam!

17 comentários:

gaivota disse...

querida isabel, um blog é para aquilo que a gente quiser!(se não é, passa a ser...)
escreve o que te apetecer, primeiro é para ti que o fazes, depois, quem é teu AMIGO/A e te visita nestas coisas mediáticas, entende-te e comenta ou dá uma palavrinha ao jeito do assunto...
esta melancolia que te "consome" e arrasta é muito fruto da nostalgia do outono... e depois acrescentamos o que cada um sabe de si!
gostava muito, muito de conversar contigo mas não por aqui, nem por mails ou telefones, era mesmo ali, sentadas na areia, junto deste bando de gaivotas que se fixa ao sul da minha praia, e elas seriam as testemunhas fiéis do desenrolar das nossas conversas...
espero que te recomponhas, acende a lareira, pega num livro, bebe um copo...
agarra a maria e abraça-a muitooooo
cobre-a de mil beijinhos..........
e vai ver o mar...........
todo o carinho e muita amizade para ti
beijinhossssssssssssssssss

jo ra tone disse...

Isabel,
Como dá saúde as boas recordações, Neste caso à lareira,no Outono, no Inverno, reflicto nas orações que eu pedia à minha mãe todas as noites, e eram sempre as mesmas, para eu e a mana ouvir : A da "serração da carne, a do São João Baptista,e a história dos ladrões, cada vez mais aperfeiçoada.
Depois na caminha pensava... pensava...imaginava todo o significado daquelas palavras.
Agora tu,
sede sempre tal qual como és, com toda a naturalidade. Recorda todos os momentos bons da vida, porque eu penso que o período do ano mais indicado para a reflexão, é o Outono e Inverno.
Saúde
Beijinhos

Tiago R Cardoso disse...

mas devemos escrever o que queremos e o que no apetece...

Encaro o blogue como algo pessoal, onde o prazer da escrita deva ser primeiro para nós, devemos fazer aquilo que gostamos e não condicionados pelos outros.

No outro dia escrevi uma historia "No conforto do jardim" que termina com uma grande frase que me foi passada aqui na blogosfera, "não estamos deprimidos com a vida, estamos deprimidos com a vida que nos querem impor."

Escreve, chora, ri, luta por algo que desejes, não interessam as vozes do mal-dizer, não interessa os detractores, pois esses desapareceram na mesma obscuridade de onde vieram e nós aqui continuaremos a fazer o que gostamos, escrever, dialogar, transmitir e receber algo de bom.

lagartinha disse...

Eu cá, gosto muito de ler os seus estados de alma...parecem-me palavras sentidas.
Beijinhos

Maria disse...

Não sei o que te dizer, para além do que já sabes: estou presente!
É com certeza um estado de alma passageiro, e logo logo tudo voltará ao normal.

Beijinhos, Isabel

Ludo Rex disse...

Moça, estamos aqui para tudo. Isso é Blogosfera... Kisses

elvira carvalho disse...

Minha amiga, ninguém perde tempo lendo-a. Quem aqui vem e lê o post, fá-lo por gosto. São lembranças tristes? Que importa, a vida não é um carnaval diário. Eu pelo contrário penso que deve pôr cá para fora tudo o que a atormenta. Não precisa ser para nós. Escreva-o só para si, mas escreva tudo o que lhe der na gana, como se em vez de estar a escrever o que sente estivesse a escrever uma história. Quem sabe não melhora? Comigo resulta. E depois pense na neta, visite-a, brinque com ela.
Um abraço e bom fim de semana

pinguim disse...

É dos teus posts mais bonitos, sabias?
É bom questionar as coisa de quando em vez, mas sempre de uma forma relativa: já foi dito atrás, um post é essencialmente importante para quem o escreve e nele põe o que lhe vai na alma; é o que tu fazes geralmente e neste post muito em especial.
Beijinhos.

o escriba disse...

Isabel

Querida Amiga, este foi um post "a nu". Nunca perdemos tempo quando lemos com gosto o que outros escrevem. Leio-te com gosto, com alma, com sentido porque é isso que encontro nas tuas palavras.

bjinhos
Esperança

Ana disse...

Querida Isabel
Depois de ler este teu post, espero continuar a "perder" muito mais tempo a ler o que escreves. Fazes falta aqui nesta blogosfera, onde encontramos afinidades, amizade... e alguma melancolia.
Um beijo grande, amiga.

Entre "aspas" disse...

EStados de alma são meras fases da vida pela qual todos passámos,é com eles que nós aprendemos a traduzir as diversas cores dos dias...
Bom Domingo
Bjs Zita

MPS disse...

Cara Isabel

Que seria da literatura se os poetas não pusessem a nu os seus estados de alma!

Haverá coisa mais terna e que toque mais na alma do que falar-se dos serões com pais e avós? Como pode pensar que alguém perde tempo ao lê-la? Olhe bem para os fiéis!

Um abraço

São disse...

Estou sem saber muito bem o que dizer...
Deixo-te um abraço grande.

Luis Eme disse...

os blogues são para tudo, Sophiamar...

abraço

Tony Madureira disse...

Olá,

Cada um escreve o que lhe apetece no blog. Uns escrevem o seu dia-a-dia, outros escrevem o que os preocupa, outros pedem ajuda, outros pretendem ajudar alguém, outros escrevem o que lhes vai na alma, enfim… viva a liberdade de expressão!

Eu li o post todo, e gostei do li.


Bjs

J. Stocker disse...

Isabel

A blogosfera é como o Mar um espaço aberto em que quem comanda a embarcação escolhe o rumo que em cada mmento lhe parece mais adequado.
A tripulação tem a máxima confiança no comandante e nutre grande amizade por ele.
Escolha os seus rumos, o pano que larga ou que recolhe conforme os ventos que tão bem conhece sem se preocupar com a sua tripulação, pois sabemos que chegaremos sempre a um bom Porto

Um abraço de um velho navegador que a admira.

Segunda-feira, Novembro 10, 2008

Jorge P.G disse...

PENITENCIO-ME de não ter lido este escrito antes.
Meti na cabeça que andas a escrever menos, a publicar menos, a descansar mais, e descurei as visitas.
Apresento as minhas desculpas com toda a humildade.

Sabes que penso que têm razão quando te dizem que muita da tua melancolia vem do facto de não teres tantos "amigos virtuais" como pensavas?
Pois penso, sim.

Sabes, já passei um pouco, ao de leve só, por essa fase. Mas curei-me.
Este mundo é virtual mesmo, Isabel. Nada disto é real. Não podemos, pois, criar nós mesmos mais fantasias.
Aqui, as pessoas vêm e vão, entram e partem, tantas vezes sem nunca percebermos porque vieram e porque partiram. É assim mesmo!
Já não teremos nós feito o mesmo a outros? Por mim, não ponho as mãos no fogo.

A Blogosfera é um espaço passageiro e acessório para a maioria das pessoas. Poucos lhe dedicam mais do que algum do tempo livre que lhes resta no final de um dia de trabalho.
Para muitos outros a blogosfera é uma terapia para as suas frustrações e/ou falta de amor. E como terapia, há um dia em que vem a cura ou mudam o tratamento.
Para outros ainda, é um mundo de ilusão que querem experimentar. E chegam carregados de ideias e de entusiasmo. Depois, passam meses com a amargura de terem um ou dois comentários e a desmotivadora sensação de que quase ninguém os lê, a não ser aquels um ou dois fieis. Sentem-se, então, mal amados, incompreendidos no seu trabalho feito com tanto empenho e carinho. E, num dia mais cinzento, fecham os blogues e partem de vez, ou mudam de identidade e abrem outros tentando de novo.

É assim mesmo, ISABEL. Já o aprendi e nada me ralo.
É isto que também tens que aprender, na minha honesta opinião.

UM GRANDE ABRAÇO PARA TI. ESTOU AQUI.