sábado, 1 de março de 2008

António Aleixo " O Poeta - Cauteleiro"

António Aleixo nasceu a 18 de Fevereiro de 1899 em Vila Real de Santo António e morreu em Loulé, a 16 de Novembro de 1949.
Foi guardador de cabras, cantor popular de feira em feira, soldado, polícia, tecelão, servente de pedreiro em França, cauteleiro e POETA.
Apesar de semi-analfabeto deixa obra escrita que o Dr. Joaquim Magalhães, professor de Literatura Portuguesa no Liceu Nacional de Faro, meu professor, amigo durante décadas, teve o cuidado e o prazer de redigir com correcção ortográfica: «Este livro que vos deixo», «O Auto do Curandeiro», «O Auto da Vida e da Morte», «O Auto do Ti Jaquim» ( incompleto) e «Inéditos».
Em homenagem ao Poeta e à sua obra, foi levantado um monumento junto da esplanada do “Café Calcinha”, em Loulé, onde costumava vender lotaria.
O antigo Liceu Nacional de Portimão passou a chamar-se Escola Secundária Poeta António Aleixo.
Há alguns anos também passou a existir a «Fundação António Aleixo» com sede em Loulé e que já usufrui do estatuto de utilidade pública, o que lhe permite atribuir bolsas de estudo aos mais carenciados.


Estátua do poeta na esplanada onde apregoava sonhos

Fui polícia, fui soldado,
Estive fora da nação;
Vendo jogo, guardei gado,
Só me falta ser ladrão.

De vender a sorte grande,
Confesso, não tenho pena;
Que a roda ande ou desande
Eu tenho sempre a pequena.




Poeta, não, camarada,
Eu também sou cauteleiro;
Ser poeta não dá nada,
Vender jogo dá dinheiro.




Não há nenhum milionário
Que seja feliz como eu:
Tenho como secretário
Um professor do liceu.



Não é só na grande terra
Que os poetas cantam bem:
Os rouxinóis são da serra
E cantam como ninguém.

Embora os meus olhos sejam
Os mais pequenos do mundo,
O que importa é que eles vejam
O que os homens são no fundo.



Um homem quando tem notas,
Pode ser perverso e falso:
Todos lhe engraxam as botas:
Se as não tem, anda descalço.



Negociante viveste
Tens dinheiro e excelência;
São coisas que recebeste
A troco da consicência.

Vem da serra um infeliz
Vender sêmea por farinha;
Passado tempo já diz:
- Esta rua é toda minha.

És feliz, vives na alta
E eu de rastos como a cobra.
Porquê? Porque tens de sobra
O pão que a tantos faz falta.

Quem prende a água que corre
É por si próprio enganado.
O ribeirinho não morre,
Vai correr por todo lado.



Vós que lá do vosso império
Prometeis um mundo novo
Calai-vos, que pode o povo
Qu'rer um mundo novo a sério.



Que o mundo está mal, dizemos
E vai de mal a pior;
E, afinal, nada fazemos
Para que ele seja melhor.





António Aleixo









53 comentários:

disse...

O poeta do povo. Grande homem! Viveu também na "beira serra", numa altura em que a vida era bem difícil. Sofreu a sua parte. Encontrou na poesia uma forma de "gritar bem alto",a sua indignação contra as injustiças do mundo.

É o poeta popular que mais gosto, e tenho pela sua obra um respeito profundo.
António Aleixo teve uma filha (Arminda Martins Aleixo), também ela poeta e autora do livro "Retalhos do meu sentir", cuja poesia é também bastante bela.

A sabedoria de Aleixo era deveras enorme!

Não sou esperto nem sou bruto
Nem bem nem mal educado,
Sou apenas o produto
Do meio em que fui criado

Sempre que um homem pensar
Que vale mais que outro homem,
São como cães a ladrar,
Não deixam comer nem comem

Atrás dum morto em conjunto,
Vão sem ninguém lhesd dizar,
Que não vão lá p'lo defunto,
Vão p´rá família saber.

disse...

Caramba... "vão sem ninguém lhes dizer"
Beijinhosssssssssss

Sophiamar disse...



A tua passagem por aqui é sempre um prazer. Vai aparecendo com os aromas da serra, os sentires das gentes serranas e as palavras, sempre belas, que tão bem sabes dizer. Conheci a família de António Aleixo, a mais directa, e conheço alguns netos.

Beijinhosssssss

elvira carvalho disse...

É um dos poetas portugueses que mais gosto. Tenho o livro e já o li duas ou três vezes.


Enquanto o homem pensar
que vale mais que outro homem,
são como os cães a ladrar,
não deixam comer, nem comem.

Eu não sei porque razão
certos homens, a meu ver,
quanto mais pequenos são
maiores querem parecer.

Para não fazeres ofensas
e teres dias felizes,
não digas tudo o que pensas,
mas pensa tudo o que dizes.

Só um hopmem com um grande conhecimento do mundo que o rodeia pode escrever coisas assim.
Bom Domingo.
Um abraço

Sophiamar disse...

Elvira, Amiga!

Sê bem-vinda!

Obrigada!A tua participação deixou-me de lagrimita no canto do olho.

Por este homem tenho paixão
Tenho amor, tenho respeito
Ele conheceu o mundo cão
Não vergou, viveu direito

Esta é para ti com mil beijinhossss

mixtu disse...

aleixo
um dia, semanas o meu blog quedou lleno de comentarios com aleixo, teus, da rosmaninho, da lagoa, da dreamas, da lena...

aleixo... gosto, não gostando eu de poesia ou de poetas

abrazo serrano

Sophiamar disse...

Mixtu

Quantas saudades desses serões! Quantas saudades de alguém que guardo no coração para sempre. Tu sabes!

Não gostas de poetas? Mas gostas de poesia! Eu sei,miguito!

Vai passando.

Mil beijinhosssss

gaivota disse...

minha querida isabel
que bom!trouxeste o António Aleixo até aqui...
apetecia-me copiar umas coisinhas, mas agora não tenho aqui texto nenhum...
fica para a próxima
gosto imenso dele e como já te disse conheci um sobrinho dele há uns anos e aconteceu uma agradável conversa
obrigada, minha amiga
beijinhossssssssssssssss

Maria disse...

Querida Isabel

Fizeste falta, hoje, para uma abraço. Mas deixo-te:

Eu não tenho vistas largas
nem grande sabedora
mas dão-me as horas amargas
lições de filosofia

ou então

uma mosca sem valor
pousa com a mesma alegria
na cabeça de um careca
ou em qualquer porcaria

Bom domingo
Beijinhos

Ana disse...

Há quanto tempo não lia versos deste poeta popular , que com palavras simples dizia tantas verdades.
Um beijinho para ti, amiga.

Carminda Pinho disse...

As quadras do A. Aleixo são imtemporais. Cabem perfeitamente neste tempo que vivemos...

"Vós que lá do vosso império
Prometeis um mundo novo
Calai-vos, que pode o povo
Qu'rer um mundo novo a sério"

Esta quadra diz tudo...

Beijinhos amiga, também me lembrei de ti hoje...a ver o mar.:)

amigona avó e a neta princesa disse...

E as mensagens continuam!!! (falo das inglesas!)Porquenão nos deixam em paz? Afinal o que ganham com tudo isto?

Beijinhos querida e tem um BOM domingo...Quanto ao Aleixo está tudo dito!

Sophiamar disse...

Gaivota

As tuas palavras só, sem poemas, são sempre bem vindas e, como sabes, fazes parte desta roda de amigos.

Bem hajas!

Deixo-te beijinhossss

Bom Domingo!

Sophiamar disse...

Querida Maria

Gostava tanto de lá ter estado! Seria um abraço a três, muito, muito apertado.

Beijinhosssss

E aqui te deixo mais uma dele:

Ontem rei, hoje sem trono
Vagueando pela rua
Entreguei o fato ao dono
E a miséria continua

e outra:

Dizem que pareço um ladrão
Mas há muitos que eu conheço
Que não parecendo o que são
São aquilo que eu pareço

Beijinhosssss

Bom Domingo!

Sophiamar disse...

Ana, Querida Amiga

Um homem que, à semelhança de outros, só depois da morte teve o relevo que em vida lhe devia ter sido reconhecido.

Que pena sermos assim!

Beijinhosssss querida amiga

Sophiamar disse...

Carminda

Um poeta que tão tardiamente viu reconhecido o seu valor. Tantas verdades foi dizendo com a sua poesia!

Beijinhosssss

Bom Domingo!

Sophiamar disse...

Amigona, Querida!

Ainda não percebi de onde vem esta revoada de mensagens em inglês que, segundo consta, abertas num computador contagiam todos os outros que lá vão.
Há gentinha que não tem nada que fazer!

Beijinhosssss

Bom Domingo!

Mocho-Real disse...

AH, este não há quem não conheça!
De tantos poetas populares e repentistas de quadras simples mas profundas, nenhum houve com o talento de António Aleixo!

E vê bem que, no seu tempo, um professor de liceu era respeitado e tido como figura a seguir, sendo "rico" quem com ele privasse!

Não há nenhum milionário
Que seja feliz como eu:
Tenho como secretário
Um professor do liceu.


Grande Aleixo!

Um abraço para ti.
Jorge G.

P.S.(salvo seja!) - Então agora foi o "Lugar ao Som"?
E se eu reabro todos os que tive ou inauguro mais alguns? Já viste como fica essa banda?
Hahahahaha!...
Obg. pelo destaque que entendeste dar.
FIM do P.S.- (Graças aos deuses!)

Jose Gonçalves disse...

Sophiamar

"
Eu não sei porque razão
certos homens, a meu ver,
quanto mais pequenos são
maiores querem parecer."
"
Uma mosca sem valor
poisa, c'o a mesma alegria,
na careca de um doutor
como em qualquer porcaria."

Grande poeta popular de quem muito por duas razões. A primeira por ser do povo, ser dos meus. A segunda pela sabedoria que as suas quadras continham e que se mostram tremendamente actuais.

Um grande beijinho e passa um bom domingo.
José Gonçalves

Sophiamar disse...

Mocho-Real

Jorge, daqui de onde te estou a escrever, avisto uma das casas onde morou a esposa de António Aleixo. Conheci-a bem. A ele não cheguei a conhecer! Quanto aos professores de liceu e não só,lamento o que lhes está a acontecer, lamento o tipo de avaliação implementada, lamento a pressa de legistar, lamento tudo!Enfim! Será sempre rico quem privar com um professor de liceu. Disso tenho a certeza. E este foi meu amigo durante décadas.E cá continuará no meu coração.
Quanto ao lugar ao som, grandes bocados lá passei, não tem possibilidade de comentários.Espero que a ponhas em breve.
Se reabrires os que já tiveste ou inaugurares mais algum, este blogue fica assim como um brinquinho da Madeira. Nada mau!

Beijinhossss e um abraço

Bom Domingo!

Sophiamar disse...

Zéeeeeeeeeee, Amiguito!

Que bom ter-te por aqui!!!!Sabes quanto a tua passagem me é grata, sabes quanto gosto das tuas palavras, sabes que esta casa é tua.
Também gostas do Aleixo? Eu sabia! Pelo seu sentido crítico, por ser um homem simples, humilde, por dizer a verdade a cantar, por pensares como ele. Sabes que a minha mãe o conheceu nas feiras de S.Brás de Alportel? Cantava as suas quadras e encantava o povo da minha terra. Povo cultivador, corticeiro, sofredor de longas horas de trabalho e magro salário. No entanto, por esse Portugal fora, encantou muita gente, até os estudantes de Coimbra onde esteve num sanatório. A doença levou-o aos cinquenta anos mas estamos nós para o relembrar e está a sua obra escrita com a ajuda do meu grande professor e amigo , o Dr. Joaquim Magalhães que, tendo nascido no Porto, adoptou o Algarve como terra do seu coração. E com uma algarvia casou.
Beijinhosssss mil e tantossss
Quando puderes, vai passando.

MPS disse...

A sabedoria de Aleixo sempre me deixou de boca aberta. Fez bem em trazê-lo aqui. Eu só lembro mais uma quadra, daquelas que decorei mal lhes pus a vista em cima:

Prá mentira ser segura
E atingir profundidade
Tem que trazer à mistura
Qualquer coisa de verdade!

Um abraço

O Guardião disse...

"Um homem quando tem notas,
Pode ser perverso e falso:
Todos lhe engraxam as botas:
Se as não tem, anda descalço."

O conhecimento das letras não é a condição única para as palavras sábias.
Cumps

jo ra tone disse...

Ah,
Este conheço eu,
Mas há muito que não lia estes versos tão populares.
Beijinhos

Luis Eme disse...

Boa lembrança deste poeta popular algarvio, com quadras tão fortes e certeiras...

A sua estátua é da autoria do mestre Lagoa Henriques, que também fez o nosso Pessoa do Chiado...

abraço Sophiamar

António disse...

Olá, Isabel!
Já li e reli "Este livro que vos deixo"...

Beijinhos

Blue Velvet disse...

É sempre tão bom passar por aqui:
respira-se liberdade neste blog.
E ela anda tão esquecida...
Beijinhos e veludinhos

Meg disse...

Isabel,

Atrasada, que me entraram uns móveis grandes lá em casa e era preciso arrumá-los (bem), mas cá cheguei, e como sou algarvia por afinidade não podia deixar de trazer umas quadras do António Aleixo, ou antes, o poema do Aleixo que foi publicado no "Livro Vermelho do Galo de Barcelos", em 1975(dos Anarkas).

Forçam-me, mesmo velhote,
de vez em quando, a beijar
a mão que brande o chicote
que tanto me faz penar.

Porque o mundo me empurrou,
caí na lama, e então
tomei-lhe a cor, mas não sou
a lama que muitos são.

À guerra não ligues meia,
porque alguns grandes da terra,
vendo a guerra em terra alheia,
não querem que acabe a guerra

Que importa perder a vida
em luta contra a traição,
se a Razão mesmo vencida,
não deixa de ser Razão?

Enquanto o homem pensar
que vale mais que outro homem,
são como os cães a ladrar,
não deixam comer, nem comem.


Um bom domingo e um abraço



(Fui eu que eliminei o comentário porque o poema tinha ficado na gaveta)

avelaneiraflorida disse...

Querida Sophiamar,

tenho andado num turbilhão...perdoa as visitas tão rápidas!!!!
Espero conseguir retomar o fio dos dias e visitar o teu cantinho como mereces!!!!

Bjkas!!!

Graça Pires disse...

Adoro o António Aleixo. As quadras dele são de uma enorme sabedoria.
Um beijo.

Vb disse...

Olá Isabel.
Já está muita coisa dita, e muitas quadras desenhadas a propósito de Aleixo.
Tenho também o privilegio de conhecer pessoas que assistiram a esses “despiques” em feiras e tabernas na nossa terra e arredores. Segundo ainda pessoas se recordam, um dos grandes oponentes do Aleixo nesses desafios era o nosso José Vicente, da Mesquita Alta. Homem de poucas ou nenhumas letras e cavador de profissão respondia-lhe à letra.
Deixo-te uma dele:

Um dia quando eu morrer
Eu quero a campa florida
Para calvário já me basta
A cruz que eu passo na vida


Beijinhos

Vitor Barros

Leonor disse...

ha blogs que sao especificos na materia que expoem. no teu encontramos as historias que falam dos nossos costumes e boa poesia dos nossos poetas.
beijinhos

Agulheta disse...

Sophia.
Poeta do povo o grande Antonio Aleixo.Nesta quadra que muito se assemelha a esta altura.

Há lutas por mil doutrinas.
Se querem que o mundo ande,
Façam das mil pequeninas
Uma só doutrina grande.

Beijinho Lisa

Sophiamar disse...

MPS

As tuas palavras, neste espaço, são recebidas com muito agrado.
Esta é uma das quadras de Aleixo que digo mais vezes.
Vai aparecendo.

Beijinhossss

Sophiamar disse...

Guardião

Acertado! Como sempre! O conhecimento das letras não é condição única para as palavras sábias.
Passa sempre!

Beijinhosssss

Sophiamar disse...

Jo Ra Tone

Vai passando. Outros trarei ao teu conhecimento.
Beijinhossssss

Sophiamar disse...

Luís Eme

Obrigada pela informação. O lapso foi meu. Já agora, a caricatura é de Tóssan.

Vai passando.

Beijinhosssss

Sophiamar disse...

António,Meu Querido Amigo

As tuas palavras são sempre bem vindas neste espaço. Este sistema de comentários tira algum tempo para as visitas mas, amanhã, lá estarei.

Beijinhosssssss

Sophiamar disse...

Blue Velvet

Se te sentes bem aqui, tanto melhor para ambas. Eu também gosto muito da tua presença. Sinto o teu carinho e a tua amizade.

Beijinhossss

Sophiamar disse...

Meg

O teu contributo é muito importante. Conheço bem estas quadras,excelentes, e o livro que referes. Algarvia por afinidade? Um dia contar-me-ás essa história.
Vai passando. És sempre bem-vinda neste espaço.
Quanto aos móveis, ficam bem lá onde estão e o espaço é lindíssimo.

Beijinhossss

Sophiamar disse...

Avelaneira Florida

Amiga passa quando puderes e tiveres tempo.Eu sei que deves andar com muito trabalho. Também por isso, e com este sistema de comentários, não tenho passado lá por casa.

És sempre bem vinda!

Beijinhosssssss

Sophiamar disse...

Graça Pires

Amiga poeta, calculei que gostasses de António Aleixo. Fico satisfeita.

Beijinhossssss

Sophiamar disse...

Vítor ( VB)

Ouvi falar de José Vicente, aos meus tios e pais. Também o comparavam a Aleixo mas faltou-lhe o professor de liceu. Nisso o Aleixo teve sorte e nós também porque ficámos com a sua obra.

Beijinhosssss

Boa semana!

Sophiamar disse...

Leonor
Sabes que o Algarve inspirou uma boa parte das suas gentes com as amendoeiras, as mouras encantadas, o mar e a saudade, o amor, a paixão...
Vai passando.

As tuas palavras são bem-vindas.

Beijinhosssss

Sophiamar disse...

Agulheta, Lisa Amiga

António Aleixo é um poeta de todos os tempos.São assim os poetas populares e é essa a sina do povo. Até quando?

Beijinhossssss

Vera disse...

Sabes que António Aleixo acho que foi um dos primeiros poetas que li, ainda bem miúda. Penso (não sei se estou enganada) que se chamava qualquer coisa como "Este livro que vos deixo".

Gostei de ler sobre ele :)

Beijo

Espaço do João disse...

Querida Isabel.
O nosso querido António Aleixo se fosse vivo hoje , muito mais teria para dizer. Estou-me a lembrar de duas célebres quadras que, retratam bem a minha maneira de ser:
Sou humilde,sou modesto;
Mas entre gente ilustrada.
Talvez me digam que eu presto.
Porque não presto pra nada.

Eu não tenho vistas largas.
Nem grande sabedoria.
Mas dão-me as horas amargas.
Lições de filosofia.
Beijos João.

Sophiamar disse...

Vera

O Título do livro é exactamente esse. Aleixo é vida, é sentir do povo, é escola.

Lê-lo, relê-lo...é uma paixão.

Beijinhosssss

Sophiamar disse...

Querido Amigo João

Sabes que as tuas palavras são sempre bem vindas e a tua colaboração é muito importante. Aleixo , com o seu apurado sentido crítico, deixou-nos quadras que são lições de vida.Ontem, hoje, amanhã.

Aparece sempre.

Beijinhosssss

TINTA PERMANENTE disse...

Eu não sei por que razão
certos homens, a meu ver,
quanto mais pequenos são
maiores querem parecer.


Uma, entre tantas, se de todas posso escolher!


Abraços!

Sophiamar disse...

Tinta Permanente

Do maior poeta popular que conheço aqui te deixo mais umas quadras:

Julgando um dever cumprir,
Sem descer no meu critério,
Digo verdades a rir
Aos que me mentem a sério!

Veste bem, já reparaste?
mas ele próprio ignora
que, por dentro, é um contraste
com o que mostra por fora.

Vemos gente bem vestida,
No aspecto desassombrada;
São tudo ilusões da vida,
Tudo é miséria dourada.

Os novos que se envaidecem
Pelo muito que querem ser
São frutos bons que apodrecem
Mal começam a nascer.

Os que bons conselhos dão
ás vezes fazem-me rir
por ver que eles mesmos, são
incapazes de os seguir.

Vai passando, amigo Tinta Permanente. É com muito gosto que leio as tuas palavras aqui a ver o mar.

Beijinhosssss

Aspásia disse...

ALEIXO DEIXOU-NOS UMA GRANDE OBRA E UM GRANDE EXEMPLO!
SEM DUVIDA O MAIOR POETA POPULAR DE PORTUGAL, PELO MENOS DAQULEES DE QUEM FOI POSSÍVEL REGISTAR A SUA OBRA!

UM OUTRO FOI O POETA CALAFATE DE SETÚBAL, TERRA DE MEU PAI, MAS CREIO QUE NAÕ EXISTE DESTE, UM LIVRO PUBLICADO.

AMIGA CHEGOO ALGO CANSADA À NOITE, POIS ANDO ARMADA EM "SERRALHEIRA, CANALIZADORA E ELECTRICISTA" DURANTE O DIA...
PREFIRO EU FAZER CERTAS COISAS DEVAGAR A FAZEREM-MAS MAL E PAGAR UM BALÚRDIO...

BEIJINHO GRANDE;))

Sophiamar disse...

Aspásia

No post do poeta-cauteleiro tenho a visita de uma engenheira-canalizadora? Ahahahahah!!!

Mas tenho também uma grande poeta. Visitar o teu blogue pela manhã é assim como que uma injecção de boa disposição.

António Aleixo teve a sorte, e nós com ele, de ter sido descoberto por um professor de liceu. Se o calafate de Setúbal o tivesse conhecido....
Beijinhossssss