terça-feira, 28 de outubro de 2008

A Propósito de Estrelas



Não sei se me interessei pelo rapaz
por ele se interessar por estrelas
se me interessei por estrelas por me interessar
pelo rapaz hoje quando penso no rapaz
penso em estrelas e quando penso em estrelas
penso no rapaz como me parece
que me vou ocupar com as estrelas
até ao fim dos meus dias parece-me que
não vou deixar de me interessar pelo rapaz
até ao fim dos meus dias
nunca saberei se me interesso por estrelas
se me interesso por um rapaz que se interessa
por estrelas já não me lembro
se vi primeiro as estrelas
se vi primeiro o rapaz
se quando vi o rapaz vi as estrelas

Adília Lopes


Biografia



Adília Lopes, poetisa, cronista e tradutora, é o pseudónimo literário de Maria José da Silva Viana Fidalgo de Oliveira, nascida em Lisboa a 20 de Abril de 1960. Tem vivido sempre nesta cidade e na mesma casa, habitada pela família da mãe desde 1916.
Concorreu em 1983 a um Prémio de Prosa da APE, para o qual um amigo lhe sugeriu o pseudónimo por que ficou conhecida, e enviou poemas para a editora Assírio & Alvim, que remeteu dois deles para o seu Anuário de Poetas não Publicados de 1984. Licenciou-se na Faculdade de Letras de Lisboa e publicou o seu primeiro livro de poemas em edição de autor, "Um jogo bastante perigoso" em 1985. O primeiro poema do livro evoca Esther Greenwood, a narradora de "Câmpanula de Vidro", um romance autobiográfico onde a poetisa norte-americana, Sylvia Plath, reflectiu a depressão profunda que a afectou.
Ao longo do curso, Adília Lopes publicou outros quatro livros de poesia, entre os quais "O Poeta de Pondichéry" em 1986 – a sua obra mais traduzida, baseada numa enigmática personagem de "Jacques le Fataliste", romance de Diderot e "O Decote da Dama de Espadas " em 1988, compilação de poemas redigidos entre 1983 e 1987, louvado por vários críticos.
Não escreveu no período de 1987 a 1991 e, de certa forma, inicia nesse ano um novo ciclo, novamente em edição de autor, com "Os 5 Livros de Versos Salvaram o Tio", 250 exemplares para distribuição gratuita. Recusado por seis editoras, tem na capa, simbolicamente, a data do primeiro livro - 1985.
Entre 1992 e 1997, publicou cinco livros de poesia e especializou-se em Ciências Documentais, em 1995, na Faculdade de Letras de Lisboa. Trabalhou nos espólios de Fernando Pessoa, Vitorino Nemésio e José Blanc de Portugal.
Em 2000 , foi publicado "Obra", reunião dos quinze livros de poesia de Adília Lopes, com ilustrações de Paula Rego. A pintora, surpreendida, havia encontrado nos poemas um impressionante paralelo com o seu próprio imaginário. Em resposta à cortesia, Adília traduziu para português Nursery Rhymes (Rimas de Berço), um álbum de gravuras de Paula Rego baseadas nas clássicas rimas infantis inglesas.
As principais influências literárias assumidas por Adília Lopes são Sophia de Mello Breyner Andresen e Ruy Belo, mas também a Condessa de Ségur, Emily Brönte, Enid Blyton, Roland Barthes ou Nuno Bragança.


( Extraído da net)

Miró
Ao centro, pintura de Paula Rego


Tenham um Boa Semana.

Beijos





31 comentários:

Outonodesconhecido disse...

Bem só posso dizer que gsotei muito do gato, do poema e da pintura.
boa semana

Carminda Pinho disse...

Amiga,
todos os dias há estrelas novas.
Quando olho o céu, descubro-o.
Algumas delas, deixam-nos assim...

Um abraço grande, tu sabes o tamanho...
Beijos, muitos...
Até logo!

Eu também...

António Inglês disse...

Isabel mana amiga avó.

Voltei de férias e cá estou a visitar-te.
Sei que passas-te, se não as melhores, pelo menos umas das melhores férias de Páscoa da tua vida, na companhia dos teus mais queridos que agora se viram acrescidos dessa "ESTRELA" de nome Maria e que guiará as vossas vidas para sempre.
Este prosa não poderia ter vindo em melhor altura pois.
As minhas férias foram soberbas em Monchique numa casa da Serra, onde 16 pessoas fizeram delas uma época de amor, solidariedade, amizade, confraternização e sobretudo de paz
Espero que estejais todos bem e quanto a nós cá estaremos de novo EntreMonteseVales a Ver o Mar e com ele por perto.
As estrelas serão nossas testemunhas e companheiras de tantas e tantas jornadas por aqui.
Deixo-te um grande abraço cheio de beijinhos de sabor a mel que colarás nas bochecha da "nossa" querida Maria.
Saudades que já tinha.
António Inglês

Maria disse...

Já não sei de estrelas....
... sei que as vejo, e quando me fixo numa ou noutra, me sorriem...

Obrigada, Isabel
Beijinho à Maria
Beijos para ti

Meg disse...

E desta vez trouxeste-nos Adília Lopes, poetisa difícil, quando a mim, pouco compreendida e muito pouco divulgada.
Confesso que ainda não me atrevi a fazê-lo.O resto, Isabel, a vida leva uns e traz-nos outros,
Coragem!

Um abraço

Graça Pires disse...

Gostei de tudo, principalmente do poema da Adília Lopes.
Um beijo

SILÊNCIO CULPADO disse...

SOPHIAMAR
Não conhecia Adília Lopes e foi muito interessante este bocadinho que vislumbrei dela.

Um novo ciclo pós-Páscoa com tudo de bom para ti, Isabel, tanto mais que a tua nova condição de avó te dará um novo colorido aos dias (eu tenho um neto que fez 2 anos no passado dia 15).

Abraço

Savonarola disse...

É sempre bom conhecer novas poetisas, como Adília Lopes, que desconhecia por completo. Universos novos, que nos abrem os sentidos e a alma.
Beijinhos anarquistas

Ludo Rex disse...

Boa Semana Amiga... Kiss

Papoila disse...

Minha Querida:
Voltei! O rapaz das estrelas é uma delicia. Belo artigo! Conheci pela tua mão Adília Lopes que não conhecia!
Todos os dias se acnedem estrelas!
Beijos

anamarta disse...

Olá
Espero que a Páscoa tenha sido muito feliz. Gostei muito deste poema da Adília Lopes, e embora conheça alguns poemas dela, não conhecia o seu percurso.
Um beijo para a Maria
e para a avó.

Vieira Calado disse...

Não conhecia esta moça.
E deveria conhecer, até porque se interessa por estrelas,
tal como eu...
Não há muita gente a fazê-lo, pelo menos neste país.
No meu blog de astronomia percebe-se bem, que isto assim é.
A esmagadora maioria dos meus visitantes são brasileiros.

O poema é muito bom.

E como sempre tens bom gosto nas escolhas.

Deixo-te um beijinho.

O Guardião disse...

Porque o conhecimento nunca é demais e também não ocupa lugar, li com atenção sobre a autora que me era desconhecida. As pinturas, essas são minhas amigas e conhecidas, pelo que é sempre bom revê-las
Cumps

Meg disse...

Isabel, e como sei que hoje estás melancólica, trago-te este presente para te deixar ... bem disposta:


"Deus não me deu
um namorado
deu-me
o martírio branco
de não o ter

Vi namorados
possíveis
foram bois
foram porcos
e eu palácios
e pérolas

Não me queres
nunca me quiseste
(porquê, meu Deus?)

A vida
é livro
e o livro
não é livre

Choro
chove
mas isto é
Verlaine

Ou:
um dia
tão bonito
e eu
não fornico


Um abraço e que a noite tenha sido reparadora, Isabel

Meg disse...

Claro que é da Adília Lopes!!!

LUIZ SANTILLI JR. disse...

Acho que não consegui das Boa Páscoa a você!
Vai meio atrasada!

Eu sou meio desligado nisso, mas sei da importância para os que crêem!

E respeito isso!

Um abraço e se puder visite meu blog!

Luiz

Pena disse...

De puro fascínio e maravilha a biografia de Adília Lopes.
Ela agradecer-lhe-á.
Quando um dia recordar verá que lhe farão justiça.
A sua forma de estar na vida é estimulante e adorável, acredite?
Parabéns pela maravilhosa e genial pessoa que é.
OBRIGADO por existir.
Bj amigos de respeito. Muitos!
Com estima

pena

Miosotis disse...

Não conhecia de todo Adília Lopes! Vou tentar ler algo dessa autora para melhor poder comentar...

Quanto à imagem de Paula Rego... trata-se de uma ilustração para um livro de literatura juvenil escrito por Vasco Graça Moura!
Faz parte de uma colecção muito interessante!

Que a tua festa de Páscoa tenha sido plena de afectos!

Abraço,

gaivota disse...

isabel linda, as estrelas encantadas que deixam enamoradas as princeas...
(a minha Maria, quase com 3 anos, já gosta de olhar as estrelas...)
e há sempre uma estrelinha especial cheia de mimos e carinho à espera de ser colhida...
hoje é assim, são coisas das minhas meninas, tantas, tantas, tinham fome, pililipavam de madrugada, a chamar pelo pão que alguém lhes ofereceu...
obrigada por mais esta apresentação de poetisa, que não
conhecia
beijinhos assimmmmmmmmmmmmmmmmmmm

Mocho-Real disse...

Adoro ver estrelas, hahahaha!

Nova poetisa, lindos quadros e UM ABRAÇO, que ainda tive uma réstea de tempo para tal, pedindo desde já desculpa a todos os outros amigos cujas casas não visitei.

Obs: deixei 2 sondagens no Sino para se entreterem.
:-)

INTÉ!
Jorge G.

jo ra tone disse...

E a poesia aqui tão perto!

Gostei de tudo o que li, vi
É sempre bom visitar-te, pois tens sempre coisas muito interessantes,(novidades), para dar a ler

Beijinho

irneh disse...

Olá

Belo poema da Adília. Conhecia alguma da sua poesia, mas pouco sabia sobre a autora.

Boa semana para ti e um beijo.

Oris disse...

Foi bom, encontrar por aqui, Adília Lopes, um ser humano muito incompreendido.

Há tempos, senti vontade de postar um poema dela, mas faltou-me a coragem....

Preconceitos, se calhar....

Beijitos

Fa menor disse...

Amei o poema do rapaz... ou será das estrelas?

Bjins

Leonor disse...

ola isabel
miró e paula rego.
duas combinaçoes fantasticas. gosto muito da pintura dos dois mas pinturas nao consigo explicar nada.
gosto e pronto.
beijinhos

Odele Souza disse...

Espero que tenhas tido uma boa Páscoa,

E gostei muito deste teu post, o blog nem preciso dizer, é muito bem cuidado.

Um abraço.

avelaneiraflorida disse...

Uma saudação para a VÒVÒ mais babada do planeta, não é Querida Amiga?????

E depois...ainda consegue desprender-se da Maria para vir partilhar connosco estes momentos de VIDA!!!!!
" BRIGADOS"!!!!!!
Bjkas!!!

Filoxera disse...

Amiga:
Gostei da poesia e achei muito interessante a autora, Adília Lopes.
Obrigada.
Beijos.

elvira carvalho disse...

Boa noite Amiga.
Mas não estavamos numa de poetas do Algarve? Confesso que não conheço nada desta poetisa.
Conhece uma poetisa algarvia chamada Natália Rio?
Um abraço

Blue Velvet disse...

Ó Sophia,
já sorri e já me ri e já me comovi.
Não estás aperceber nada?
Eu explico
Sorri enternecida com o poema, que parece uma cantilena, e que adorei.
Ri-me porque aquilo que troxeste não são os prémios. Aquilo são pequenos separadores com bonequinhos de que gosto muito. Os prémios estão um bocadinho acima:)))
Comovi-me por Lagos e por Sagres lugares onde passei todas as férias na minha infância e onde repeti a dos meus filhotes.
Estão sempre no meu coração e nunca consigo evitar as lágrimas quando vejo algo que me lembra Lagos.
Beijinhos e veludinhos

Luis Eme disse...

Gostei muito deste poema...

abraço Sophiamar